Cidade indiana deve ser evacuada em 2025 devido à poluição

Com poluição elevada, o maior lago de Bangalore entrou em combustão por 12 horas seguidas; especialista afirma que a cidade pode se tornar inabitável

 

Em 16 de fevereiro, o lago Bellandur, o maior da cidade de Bangalore, no sul da Índia pegou fogo mais uma vez. O incêndio vindo das águas durou doze horas e foi tão grande, com nuvens de fumaça tão densas, que assustou até mesmo os bombeiros, que já haviam presenciado o fenômeno em 2015. Devido à alta concentração de poluentes, as substâncias tóxicas e inflamáveis despejadas em suas águas reagem entre si e entram em combustão.

Segundo estudo de V Balasubramaniane, ex-secretário-chefe adicional de Karnataka – estado indiano onde fica Bangalore -, se o ritmo de poluição das águas da cidade continuar elevado, uma grande crise hídrica se instalará em 2025. Para ele, a falta de água potável e a grande toxicidade da região deve levar à evacuação da população.

Os bombeiros suspeitam que, desta vez, o fogo tenha se originado na grossa camada de aguapé, uma planta aquática, no Bellandur. Mas eles não sabem exatamente o que causou a combustão. A suspeita é que o aguapé combinado com o gás metano formado no lago, pode ter se incendiado.

Segundo a Autoridade e Ministério de Desenvolvimento de Bangalore, o incêndio foi causado pelo homem. Isso porque, de acordo com a análise feita pelos órgãos após o incidente, a água não atinge o local onde o incêndio começou, mesmo quando o lago está cheio. A suspeita dos moradores é de que alguém tenha colocado fogo no lixo presente em Bellandur. No entanto, as autoridades disseram que, para atingir as proporções do ocorrido, deveria ter sido queimada uma quantidade enorme de resíduos.

O Tribunal Verde Nacional da Índia, que julga crimes ambientais, já advertiu os órgãos responsáveis pelo lago e pediu um plano de ação para controlar a poluição de Bellandur. A polícia está investigando o ocorrido e análises da água estão sendo processadas para se descobrir as substâncias causadoras do incêndio.

Bangalore

Bangalore é a terceira cidade mais populosa da Índia, com pouco mais de onze milhões e meio de habitantes, segundo censo de 2016, ficando atrás apenas de Mumbai e Delhi. A região teve um rápido crescimento devido à sua grande atividade industrial voltada à alta tecnologia, sendo conhecida como o centro do Vale do Silício indiano. Como consequência, sua produção de lixo eletrônico é muito grande, chegando a vinte mil toneladas por ano, de acordo com a Associação da Câmara de Comércio e Indústria da Índia, em relatório de 2013.

Muitas vezes, moradores desavisados queimam esses detritos, liberando chumbo, mercúrio e outras toxinas no ar. Além disso, eles os jogarem fora de maneira inadequada no meio ambiente, o que permite que os poluentes infiltrem o solo e as águas da cidade.

Bellandur

O lago de 148 quilômetros quadrados é parte do vale que drena o sul de Bangalore. Ele tem sofrido com o rápido desenvolvimento indiano, onde estão sendo despejados entulhos de construção, lixos tóxicos e esgoto sem tratamento sem fiscalização, apontam os moradores. Além disso, a cidade sofre com o desmatamento, que contribui para a poluição de suas águas.

Segundo o Instituto Indiano de Ciência de Bangalore (IISc, na sigla em inglês), a urbanização da região entre 1973 e 2016 causou um aumento de 1005% das superfícies pavimentadas e uma queda de 88% na vegetação e de 85% de rios e lagos, entre 2000 e 2014. Nos anos 70, eram 285 lagos na cidade. Hoje, restam apenas 194.

dado2Espuma do lago Bellandur invade as ruas de Bangalore, em 2015 (BishwajitBanik/Facebook)

Há oito anos, o Bellandur expele uma espuma tóxica, fruto da reação química de seus poluentes. Em 2015, ele pegou fogo por conta do fósforo e óleo presentes na espuma. Além dele, o lago Ulsoor, em Bangalore, também virou notícia em 2016, quando milhares de peixes apareceram mortos em sua superfície devido à poluição e queda nos níveis de oxigênio da água.

Sem título-1Homem pega peixes mortos no lago Ulsoor, em Bangalore, Índia (Manjunath Kiran/AFP)